O documentário Olhos Azuis de Jane Elliot colore nosso olhar. Sua iniciativa na década de 60,(para ser mais exato,o ano é 1968) com crianças da 3ª série, originou seu trabalho desenvolvido em workshop e dinâmicas de grupo. No início, apenas um experimento incipiente em sala de aula, como muitos de nós, professores, fazemos; depois, estratégia de enfrentamento da discriminação.
Alguns pontos ainda obscuros na sociedade: preconceito, omissão, necessidade de pertencimento a uma classe, poder, vem à luz com a proposta do documentário. Despir nosso olhar é a primeira atitude a ser tomada ante ao trabalho de Elliot. Sua importância ultrapassa as discussões banais sobre o racismo, pois, através de um processo de transferência de papéis, identifica e apresenta uma ferida que se tenta esconder, o racismo.
Ao chamar "voluntários", a professora sela um contrato passível de quebra, porém inquestionável com os participantes. A partir desta idéia de voluntariado, podemos fazer a seguinte analogia: você escolheu passar por isso, eles (discriminados) não.
O artifício utilizado pela psicóloga, dispor os grupos em níveis diferentes, facilita a marcação de estereótipos negativos ao grupo de olhos azuis. Sentar no chão é o signo da infantilidade e inferioridade. Esse ponto é elucidado por ela como estratégia social para inferiorizar os negros.
Um dos momentos altos do documentário não é o relato sobre a discriminação sofrida pelos negros do grupo de olhos castanhos, mas quando ela agride uma mulher sugerindo que ela se aproveita de sua jovialidade e beleza para ser aceita na sociedade. Neste momento, ela critica o grupo pela inércia, alegando que ninguém a defendeu. A omissão é trazida à discussão.
Mais que um belo documentário sobre o racismo, o filme apresenta questões pertinentes à construção de um Eu-cidadão, de um Eu-mais humano. Vale a pena conferir.

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