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sexta-feira, agosto 12, 2011

A BOLSA DITADURA NÃO CHEGOU AO ARAGUAIA


A BOLSA DITADURA NÃO CHEGOU AO ARAGUAIA


Em abril do ano que vem completam-se 40 anos do início das operações do Exército contra os militantes do PCdoB que se internaram nas matas do Araguaia com o intuito de iniciar uma guerrilha contra a ditadura. Será a triste lembrança de um massacre onde morreram cerca de 60 pessoas, na maioria jovens estudantes. Poucos pereceram em combate. Quase todos foram executados, muitos deles depois de terem se rendido à tropa do Exército. Foram execuções frias, praticadas mesmo depois de alguns presos serem usados até para pequenos serviços. Ordens de Brasília.

Quarenta anos depois, a tragédia do Araguaia sobrevive como amostra da capacidade do Estado brasileiro de proteger o andar de cima, mostrando-se incapaz de olhar para o de baixo.

Os comandantes militares encobriram os crimes praticados por ordem dos chefes da ocasião. Os poucos sobreviventes do PCdoB e algo como 50 famílias de militantes assassinados foram indenizados.
Até hoje, 44 pobres camponeses que viviam na região esperam algum tipo de ressarcimento. Eles não queriam e não tiveram nenhum tipo de participação na guerrilha,quando muito ajudaram os "homens da mata". tiveram as roças e criações destruídas. Pelo menos um pequeno vilarejo foi incendiado. Toda a população masculina foi presa. Cavavam-se enormes buracos no chão, onde colocaram-se centenas de pais de família, nus. Era uma gente pobre que foi lançada na humilhação e na miséria. Para eles, não houve "Bolsa Ditadura", (irei ocultar os nomes das pessoas que o Elio Gaspari citou,por achar algo tedencioso).
Quarenta anos depois, restam poucos camponeses vivos. O governo reconheceu o direito dos 44 sobreviventes, mas uma liminar da justiça suspendeu o pagamento. Periodicamente hierarcas visitam o Araguaia, fazem discursos, exaltam os mortos e, aos vivos que restam, dão apenas promessas. (procurei fazer uma copilação dos pontos principais abordados pelo autor do texto publicado domingo no dia 31 de julho de 2011 no jornal O Globo).